11ª Aula - A Arte no Renascimento
Sumário: A arte do Renascimento: arquitetura, pintura, escultura. Características e principais autores.
A arquitetura do Renascimento nasceu em Itália, mais concretamente durante a construção da catedral de Santa Maria da Flor, com o arquiteto Brunelleschi, autor da sua magnífica cúpula. Não sendo uma cópia da arquitetura greco-latina, a verdade é que dela transparece uma óbvia inspiração clássica traduzida na utilização de elementos arquitetónicos clássicos como frontões triangulares ou semi-circulares, colunas com capitéis dóricos, jónicos e coríntios, abóbadas de berço, arcos de volta perfeita, cúpulas. Daí podermos apontar, como uma das grandes características da arquitetura do Renascimento, o classicismo, para além da sobriedade, da harmonia, da racionalidade, da horizontalidade e da simetria.
Para além dos elementos arquitetónicos clássicos, os arquitetos renascentistas usaram ainda os frisos, as cornijas, as balaustradas, os óculos, as aletas, as pilastras e as nervuras.
Quanto aos motivos decorativos, são inspirados na natureza, na religião e na mitologia antiga.
Foram grandes arquitetos do Renascimento Brunelleschi, Bramante, Alberti, Vasari, e Miguel Ângelo.
A pintura do Renascimento tem como principais características o realismo, a harmonia, o naturalismo, o equilíbrio na composição com a utilização das composições geométricas, frequentemente em triângulo. Os pintores do Renascimento libertaram a pintura da arquitetura, que passa a valer por si e a ter existência e importância próprias, surgem novas técnicas como a pintura a óleo sobre tela, a técnica do sfumato e a perspetiva.
A temática continua a ser religiosa, mas também mitologia grega, cenas do quotidiano e reaparece o retrato.
Os principais pintores italianos foram Botticelli, Ticiano, Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo e Rafael, na Flandres destacaram-se Bruegel e Bosch, na Alemanha Durer e Holbein e, na Espanha, El Greco.
Quanto à escultura, e tal como para a pintura, esta caracteriza-se pelo realismo, harmonia, naturalismo e o grande domínio dos materiais por parte dos escultores. As composições são igualmente geométricas, frequentemente em triângulo e também aqui há a libertação da escultura relativamente à arquitetura.
A temática também é religiosa, usa a mitologia clássica e o Homem: retratos, estátuas de corpo inteiro, bustos, estátuas equestres, nus.
Alguns dos maiores escultores deste período foram Ghiberti, Donatello, Verrochio e Miguel Ângelo.
A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, pode ser visionada na minha página de recursos pedagógicos, intitulada L - A arte do Renascimento.
E agora deixo-vos com um vídeo, em português, sobre o grande Leonardo da Vinci.
Todo o trabalho partilhado neste blogue pode ser visionado, consultado e utilizado, mas, por favor, não apague os créditos de um trabalho que é meu. E não plagie. O plágio é uma prática muito feia. Se entender contactar-me o meu e-mail é anabelapmatias@gmail.com
Agradeço aos autores dos vídeos a sua partilha, generosa, no Youtube. Sem esta partilha, as minhas postagens ficariam mais pobres.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Blogues do Ano - Votações Abertas - Dia 2

Como por certo saberão os leitores deste blogue, este História 3º Ciclo, que o ano passado tinha o nome de História 7 e que ficou em primeiro lugar no concurso de Blogues realizado pelo Aventar, está de novo a concurso para eleger o melhor blogue de História do ano de 2012.
Se assim o entenderem, podem votar no meu História 3º Ciclo, inscrito na categoria História, clicando aqui.
Agradecida desde já pelo apoio...
Agradecida desde já pelo apoio...
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Happy New Year
Happy New Year
É o que desejo a todos quantos por aqui passarem - alunos, ex-alunos, familiares, amigos... gente conhecida e desconhecida...
É o que desejo a todos quantos por aqui passarem - alunos, ex-alunos, familiares, amigos... gente conhecida e desconhecida...
10ª Aula - O Renascimento
10ª Aula - O Renascimento
Sumário: O Renascimento e a formação da mentalidade moderna. A invenção da imprensa e a difusão do Renascimento.
O termo "renascimento" significa voltar a nascer e é empregue para a história da Europa de finais do século XIV a finais do século XVI, período a que se assistiu a um renascer da cultura clássica, grega e romana. Durante este período o homem descobre-se e ganha confiança em si próprio - individualismo -, valoriza-se - humanismo - descobre o mundo que o rodeia e coloca-se no centro das suas preocupações - antropocentrismo - que substitui uma visão em que Deus assume o papel preponderante, Deus é o centro das preocupações do homem e tudo explica - teocentrismo.
O Renascimento tem o seu início em Florença, Itália, o que se explica por uma série de razões: por um lado, a existência de inúmeros vestígios das culturas clássicas greco-romana por toda a península Itálica, por outro lado as cidades-estado, muitos ricas e poderosas, rivalizavam entre si no sentido de se embelezarem e engrandecerem através das obras dos melhores artistas, o que foi muito feito através da política de mecenato praticada por famílias importantíssimas como os Médicis em Florença, os Sforza em Milão e os papas Júlio II e Leão X em Roma que financiaram as produções artísticas e os artistas deste período. De Itália - Florença, Génova, Roma, Milão e Roma - expandiu-se para a Flandres, França, Inglaterra, Espanha, Portugal. A sua rápida propagação ficou a dever-se ao surgimento da imprensa, em meados do século XV, inventada por Gutemberg, mas também devido ao papel desempenhado por escolas e universidades na divulgação dos novos valores e mentalidade e também devido às viagens e à troca de correspondência entre os humanistas do Renascimento.
O Renascimento refletiu-se na mentalidade, na literatura, na arquitetura, na pintura, na escultura e várias ciências desenvolveram-se muitíssimo como foi o caso da geografia, zoologia, botânica, astronomia, matemática e da medicina, fruto da necessidade sentida pelo homem renascentista de se conhecer a si próprio, de conhecer o mundo que o rodeava - naturalismo -, fruto do surgimento do espírito crítico, da necessidade sentida pelo homem de tudo explicar através da razão - racionalismo- e não através da religião, de Deus. De notar que o homem do Renascimento continua a ser religioso mas já sem colocar Deus no centro das suas preocupações pois no centro das suas preocupações está o próprio Homem.
Como sempre, podem consultar a minha apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, na minha página de recursos pedagógicos, com o nome J - O Renascimento.
E podem ver os vídeos por mim seleccionados a partir dos muitos existentes no Youtube sobre a temática Renascimento.
Sumário: O Renascimento e a formação da mentalidade moderna. A invenção da imprensa e a difusão do Renascimento.
O termo "renascimento" significa voltar a nascer e é empregue para a história da Europa de finais do século XIV a finais do século XVI, período a que se assistiu a um renascer da cultura clássica, grega e romana. Durante este período o homem descobre-se e ganha confiança em si próprio - individualismo -, valoriza-se - humanismo - descobre o mundo que o rodeia e coloca-se no centro das suas preocupações - antropocentrismo - que substitui uma visão em que Deus assume o papel preponderante, Deus é o centro das preocupações do homem e tudo explica - teocentrismo.
O Renascimento tem o seu início em Florença, Itália, o que se explica por uma série de razões: por um lado, a existência de inúmeros vestígios das culturas clássicas greco-romana por toda a península Itálica, por outro lado as cidades-estado, muitos ricas e poderosas, rivalizavam entre si no sentido de se embelezarem e engrandecerem através das obras dos melhores artistas, o que foi muito feito através da política de mecenato praticada por famílias importantíssimas como os Médicis em Florença, os Sforza em Milão e os papas Júlio II e Leão X em Roma que financiaram as produções artísticas e os artistas deste período. De Itália - Florença, Génova, Roma, Milão e Roma - expandiu-se para a Flandres, França, Inglaterra, Espanha, Portugal. A sua rápida propagação ficou a dever-se ao surgimento da imprensa, em meados do século XV, inventada por Gutemberg, mas também devido ao papel desempenhado por escolas e universidades na divulgação dos novos valores e mentalidade e também devido às viagens e à troca de correspondência entre os humanistas do Renascimento.
O Renascimento refletiu-se na mentalidade, na literatura, na arquitetura, na pintura, na escultura e várias ciências desenvolveram-se muitíssimo como foi o caso da geografia, zoologia, botânica, astronomia, matemática e da medicina, fruto da necessidade sentida pelo homem renascentista de se conhecer a si próprio, de conhecer o mundo que o rodeava - naturalismo -, fruto do surgimento do espírito crítico, da necessidade sentida pelo homem de tudo explicar através da razão - racionalismo- e não através da religião, de Deus. De notar que o homem do Renascimento continua a ser religioso mas já sem colocar Deus no centro das suas preocupações pois no centro das suas preocupações está o próprio Homem.
Como sempre, podem consultar a minha apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, na minha página de recursos pedagógicos, com o nome J - O Renascimento.
E podem ver os vídeos por mim seleccionados a partir dos muitos existentes no Youtube sobre a temática Renascimento.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Feliz Natal
Fotografia de Eugénio Queiroz
Desejo um Feliz Natal a todos quantos por aqui passarem.
Fiquem muito bem!
E deixo beijinhos muito especiais a todos os meus alunos... até um dia destes...
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
9ª Aula - O Comércio à Escala Mundial
9ª Aula - O Comércio à Escala Mundial
Sumário: O comércio à escala mundial. As novas rotas do comércio intercontinental. A circulação de produtos e pessoas.
Como sabeis, a matéria desta aula é a última que sairá no próximo teste de avaliação. Assim sendo, tereis quatro apresentações em PowerPoint, da F à I que correspondem, no vosso manual, à matéria da página 36 à 46. Como veem, a matéria não é muita por isso aproveitem para estudar tudo de fio a pavio, para conseguirem alcançar os melhores resultados possíveis. Qualquer dúvida... sabeis bem onde me encontrar...
E agora vamos lá à aula... mais uma vez... agora por aqui.
Como estais lembrados, iniciámos a aula pela exploração do primeiro ponto do sumário "O comércio à escala mundial", que surge somente em consequência da expansão portuguesa e espanhola, decorrente dos descobrimentos de terras, algumas completamente desconhecidas até então como foi o caso da América e da abertura das rotas do Atlântico que ligavam a Europa ao continente americano, outras rotas foram criadas e ligaram continentes nunca antes ligados por mar, caso da abertura da Rota do Cabo que finalmente ligou Portugal à Índia e ainda de rotas do extremo oriente e, no Pacífico, convém não esquecer a Rota de Manila.
O mundo ficou irremediavelmente ligado por laços comerciais que aproximaram continentes e terras distantes, muitos deles(as) desconhecidos(as), levando e trazendo plantas e animais que vão sendo introduzidos, alguns com muito êxito, por vezes em paragens muito diferentes das originais.
No século XVI, as cidades de Lisboa e Sevilha são importantes centros de comércio, muito cosmopolitas e poderosas. Outro pólo importante de comércio era a Flandres e entre 1499 e 1548 Portugal teve uma importante feitoria na cidade de Antuérpia já que era a partir desta cidade, também poderosa e rica, que os artigos provindos da Europa do sul eram distribuídos para a Europa do norte e do centro.
A Europa passou a explorar o mundo e a lucrar com este comércio. Do continente americano chegava o ouro, a prata, a batata, o ananás, o milho, o pimento, o tomate, os animais exóticos, o cacau... da Ásia chegavam as especiarias, os tecidos, o chá, os móveis, as pérolas... de África partem os escravos negros com destino ao continente americano, para as plantações e engenhos de açúcar e para a Europa, e ainda o marfim, o ouro, a malagueta. Em África e na Ásia estabeleceram-se feitorias, colonizou-se e explorou-se o continente americano.
Com este movimento expansionista, as rotas comerciais, anteriormente dominadas pelos muçulmanos e comerciantes das cidades estado italianas, entraram em decadência e o comércio deixou de ser dominado por cidades e passou a ser dominado por nações, que se tornam poderosíssimas. As rotas comerciais ligaram, pela primeira vez, quatro continentes - Europa, Ásia, África e América -enriquecendo a burguesia europeia e o centro do comércio deslocou-se do Mediterrâneo para o Atlântico. Os escravos negros chegavam em grande numero ao continente americano e os índios foram, em grande parte, exterminados devido à ocupação espanhola, muito rápida devido ao uso das armas de fogo e dos cavalos e também muito violenta, e até devido à gripe, cujo vírus era inexistente até os europeus chegarem a este continente. Fernando Cortez foi o conquistador que conquistou o império asteca, entre 1519 e 1521. Os astecas eram politeístas e excelentes escultores, ourives e conheciam a metalurgia do bronze. Os Maias foram importantes construtores de pirâmides, eram politeístas e tinham grandes conhecimentos de matemática e astronomia. Francisco Pizarro, entre 1531 e 1533, aniquilou o império Inca, mergulhado, à época numa violenta e sangrenta guerra civil. Os incas eram igualmente politeístas, não conheciam a escrita, eram construtores de cidades, excelentes ourives, tinham conhecimentos de matemática e de medicina.
Destas deslocações de população e contactos ou cruzamentos entre povos tão diversos resultou a miscigenação, a mistura entre eles e a aculturação dos povos indígenas já que a cultura europeia, mais forte, se impôs um pouco por todo o mundo em detrimento de outras culturas locais.
A apresentação ao PowerPoint desta aula pode ser consultada na minha página de recursos com o nome I - O comércio à escala mundial.
Deixo-vos também um excelente documentário da BBC sobre a escravatura no Brasil.
E deixo-vos um link de uma fotografia muito especial, de Machu Picchu, aqui. Explorem a fotografia. Sintam-se lá... também se viaja por aqui...
Sumário: O comércio à escala mundial. As novas rotas do comércio intercontinental. A circulação de produtos e pessoas.
Como sabeis, a matéria desta aula é a última que sairá no próximo teste de avaliação. Assim sendo, tereis quatro apresentações em PowerPoint, da F à I que correspondem, no vosso manual, à matéria da página 36 à 46. Como veem, a matéria não é muita por isso aproveitem para estudar tudo de fio a pavio, para conseguirem alcançar os melhores resultados possíveis. Qualquer dúvida... sabeis bem onde me encontrar...
E agora vamos lá à aula... mais uma vez... agora por aqui.
Como estais lembrados, iniciámos a aula pela exploração do primeiro ponto do sumário "O comércio à escala mundial", que surge somente em consequência da expansão portuguesa e espanhola, decorrente dos descobrimentos de terras, algumas completamente desconhecidas até então como foi o caso da América e da abertura das rotas do Atlântico que ligavam a Europa ao continente americano, outras rotas foram criadas e ligaram continentes nunca antes ligados por mar, caso da abertura da Rota do Cabo que finalmente ligou Portugal à Índia e ainda de rotas do extremo oriente e, no Pacífico, convém não esquecer a Rota de Manila.
O mundo ficou irremediavelmente ligado por laços comerciais que aproximaram continentes e terras distantes, muitos deles(as) desconhecidos(as), levando e trazendo plantas e animais que vão sendo introduzidos, alguns com muito êxito, por vezes em paragens muito diferentes das originais.
No século XVI, as cidades de Lisboa e Sevilha são importantes centros de comércio, muito cosmopolitas e poderosas. Outro pólo importante de comércio era a Flandres e entre 1499 e 1548 Portugal teve uma importante feitoria na cidade de Antuérpia já que era a partir desta cidade, também poderosa e rica, que os artigos provindos da Europa do sul eram distribuídos para a Europa do norte e do centro.
A Europa passou a explorar o mundo e a lucrar com este comércio. Do continente americano chegava o ouro, a prata, a batata, o ananás, o milho, o pimento, o tomate, os animais exóticos, o cacau... da Ásia chegavam as especiarias, os tecidos, o chá, os móveis, as pérolas... de África partem os escravos negros com destino ao continente americano, para as plantações e engenhos de açúcar e para a Europa, e ainda o marfim, o ouro, a malagueta. Em África e na Ásia estabeleceram-se feitorias, colonizou-se e explorou-se o continente americano.
Com este movimento expansionista, as rotas comerciais, anteriormente dominadas pelos muçulmanos e comerciantes das cidades estado italianas, entraram em decadência e o comércio deixou de ser dominado por cidades e passou a ser dominado por nações, que se tornam poderosíssimas. As rotas comerciais ligaram, pela primeira vez, quatro continentes - Europa, Ásia, África e América -enriquecendo a burguesia europeia e o centro do comércio deslocou-se do Mediterrâneo para o Atlântico. Os escravos negros chegavam em grande numero ao continente americano e os índios foram, em grande parte, exterminados devido à ocupação espanhola, muito rápida devido ao uso das armas de fogo e dos cavalos e também muito violenta, e até devido à gripe, cujo vírus era inexistente até os europeus chegarem a este continente. Fernando Cortez foi o conquistador que conquistou o império asteca, entre 1519 e 1521. Os astecas eram politeístas e excelentes escultores, ourives e conheciam a metalurgia do bronze. Os Maias foram importantes construtores de pirâmides, eram politeístas e tinham grandes conhecimentos de matemática e astronomia. Francisco Pizarro, entre 1531 e 1533, aniquilou o império Inca, mergulhado, à época numa violenta e sangrenta guerra civil. Os incas eram igualmente politeístas, não conheciam a escrita, eram construtores de cidades, excelentes ourives, tinham conhecimentos de matemática e de medicina.
Destas deslocações de população e contactos ou cruzamentos entre povos tão diversos resultou a miscigenação, a mistura entre eles e a aculturação dos povos indígenas já que a cultura europeia, mais forte, se impôs um pouco por todo o mundo em detrimento de outras culturas locais.
A apresentação ao PowerPoint desta aula pode ser consultada na minha página de recursos com o nome I - O comércio à escala mundial.
Deixo-vos também um excelente documentário da BBC sobre a escravatura no Brasil.
E deixo-vos um link de uma fotografia muito especial, de Machu Picchu, aqui. Explorem a fotografia. Sintam-se lá... também se viaja por aqui...
terça-feira, 20 de novembro de 2012
8ª Aula - O Achamento do Brasil
8ª Aula - O Achamento do Brasil
Sumário: O achamento do Brasil. A exploração inicial. O sistema de capitanias. O governo geral.
Meus queridos alunos,
como já sabemos, depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia, o nosso rei D. Manuel I organizou uma poderosa armada, composta por 13 embarcações, para instalar uma feitoria em Calecute. A armada, comandada por Pedro Álvares Cabral, saiu de Lisboa a 9 de março de 1500 e no dia 22 de abril avistaram terra batizando-a de Terras de Vera Cruz. Desembarcaram em Porto Seguro, no atual estado da Bahia, onde permaneceram uns dias, contactando, pela primeira vez, com os índios Tupis. Pêro Vaz de Caminha retrata estes dias muito pormenorizadamente na sua carta/diário de bordo. Aqui foi rezada a primeira missa, a 26 de abril de 1500, posteriormente uma embarcação regressou a Lisboa para dar a boa nova ao rei D. Manuel e a restante frota levantou âncora em direção à Índia deixando em solo brasileiro dois condenados e dois grumetes, estes últimos fugidos durante a noite, desconhecendo-se o que lhes aconteceu. No Cabo da Boa Esperança, a armada lutou contra uma violenta tempestade tendo-se perdido quatro navios, entre os quais a embarcação comandada por Bartolomeu Dias que assim perdeu a vida no cabo por si dobrado doze anos antes. Em 1501 regressaram a Lisboa seis navios carregados de riquezas.
Em 1502, D. Manuel alugou esta terra, por 4 mil cruzados, a um grupo de cristão-novos liderados por Fernão de Noronha que tinham por obrigação explorarem 300 léguas de costa ao ano e por sua vez tinham o direito de a explorar economicamente. Exploraram os animais exóticos, catatuas, macacos, peles e, principalmente o pau-brasil, tão abundante que daria nome ao novo território sobrepondo-se ao original.
A partir de 1530, já com D. João III, o interesse pelo Brasil intensifica-se devido à decadência do comércio com o oriente e em 1534 o rei divide o território em 15 capitanias atribuídas a doze capitães-donatários que, em troca do pagamento de impostos e da obrigação de explorar e povoar o território, detêm o poder judicial e administrativo sobre o mesmo e exploram-no economicamente.
O sistema de capitanias não vigora muitos anos devido a problemas diversos, nomeadamente pelas desigualdades de poderes e riquezas entre os vários capitais donatários, os ataques de piratas franceses e os ataques dos ameríndios e em 1549, D. João III aboliu o sistema de capitanias e nomeou um governo-geral para o Brasil que se pretende mais eficaz e nomeia Tomé de Souza como primeiro governador geral do Brasil. Viajou com trezentos colonos, trezentos soldados, quatrocentos degredados e seis padres jesuítas. A ele se deve a fundação da cidade de S. Salvador da Bahia que foi, até 1763, a capital do Brasil.
A partir de meados do século XVI, a exploração do açúcar intensificou-se traduzindo-se em extensas plantações de cana-de-açúcar onde o trabalho era escravo, predominantemente negro, de negros adquiridos pelo portugueses no continente africano e vendidos no Brasil aos fazendeiros donos das plantações e dos engenhos de açúcar. Entre o século XVI e XVII o açúcar foi o principal produto exportado pelo Brasil.
Os jesuítas desempenharam um importantíssimo papel na organização, no povoamento do Brasil, na alfabetização, na cristianização e na proteção dos índios brasileiros.
A partir do século XVII, devemos um cada vez maior conhecimento do Brasil aos bandeirantes que, penetrando para o interior do território à procura de índios para escravizar e de metais preciosos como o ouro, contribuíram para o conhecimento deste território vastíssimo, que hoje constitui um país independente, chamado Brasil.
Deixo-vos a apresentação em PowerPoint que já explorámos em contexto de sala de aula e que podem consultar na minha página de recursos com o nome H - O Achamento do Brasil.
Deixo-vos ainda os vídeos já selecionados do Youtube sobre a descoberta do Brasil...
... e uma adaptação, muito bonita, da Carta de Pêro Vaz de Caminha.
... e ainda sobre a exploração do Brasil
Estudem. Não se descuidem! Dentro em breve teremos de novo teste de avaliação.
Sumário: O achamento do Brasil. A exploração inicial. O sistema de capitanias. O governo geral.
Meus queridos alunos,
como já sabemos, depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia, o nosso rei D. Manuel I organizou uma poderosa armada, composta por 13 embarcações, para instalar uma feitoria em Calecute. A armada, comandada por Pedro Álvares Cabral, saiu de Lisboa a 9 de março de 1500 e no dia 22 de abril avistaram terra batizando-a de Terras de Vera Cruz. Desembarcaram em Porto Seguro, no atual estado da Bahia, onde permaneceram uns dias, contactando, pela primeira vez, com os índios Tupis. Pêro Vaz de Caminha retrata estes dias muito pormenorizadamente na sua carta/diário de bordo. Aqui foi rezada a primeira missa, a 26 de abril de 1500, posteriormente uma embarcação regressou a Lisboa para dar a boa nova ao rei D. Manuel e a restante frota levantou âncora em direção à Índia deixando em solo brasileiro dois condenados e dois grumetes, estes últimos fugidos durante a noite, desconhecendo-se o que lhes aconteceu. No Cabo da Boa Esperança, a armada lutou contra uma violenta tempestade tendo-se perdido quatro navios, entre os quais a embarcação comandada por Bartolomeu Dias que assim perdeu a vida no cabo por si dobrado doze anos antes. Em 1501 regressaram a Lisboa seis navios carregados de riquezas.
Em 1502, D. Manuel alugou esta terra, por 4 mil cruzados, a um grupo de cristão-novos liderados por Fernão de Noronha que tinham por obrigação explorarem 300 léguas de costa ao ano e por sua vez tinham o direito de a explorar economicamente. Exploraram os animais exóticos, catatuas, macacos, peles e, principalmente o pau-brasil, tão abundante que daria nome ao novo território sobrepondo-se ao original.
A partir de 1530, já com D. João III, o interesse pelo Brasil intensifica-se devido à decadência do comércio com o oriente e em 1534 o rei divide o território em 15 capitanias atribuídas a doze capitães-donatários que, em troca do pagamento de impostos e da obrigação de explorar e povoar o território, detêm o poder judicial e administrativo sobre o mesmo e exploram-no economicamente.
O sistema de capitanias não vigora muitos anos devido a problemas diversos, nomeadamente pelas desigualdades de poderes e riquezas entre os vários capitais donatários, os ataques de piratas franceses e os ataques dos ameríndios e em 1549, D. João III aboliu o sistema de capitanias e nomeou um governo-geral para o Brasil que se pretende mais eficaz e nomeia Tomé de Souza como primeiro governador geral do Brasil. Viajou com trezentos colonos, trezentos soldados, quatrocentos degredados e seis padres jesuítas. A ele se deve a fundação da cidade de S. Salvador da Bahia que foi, até 1763, a capital do Brasil.
A partir de meados do século XVI, a exploração do açúcar intensificou-se traduzindo-se em extensas plantações de cana-de-açúcar onde o trabalho era escravo, predominantemente negro, de negros adquiridos pelo portugueses no continente africano e vendidos no Brasil aos fazendeiros donos das plantações e dos engenhos de açúcar. Entre o século XVI e XVII o açúcar foi o principal produto exportado pelo Brasil.
Os jesuítas desempenharam um importantíssimo papel na organização, no povoamento do Brasil, na alfabetização, na cristianização e na proteção dos índios brasileiros.
A partir do século XVII, devemos um cada vez maior conhecimento do Brasil aos bandeirantes que, penetrando para o interior do território à procura de índios para escravizar e de metais preciosos como o ouro, contribuíram para o conhecimento deste território vastíssimo, que hoje constitui um país independente, chamado Brasil.
Deixo-vos a apresentação em PowerPoint que já explorámos em contexto de sala de aula e que podem consultar na minha página de recursos com o nome H - O Achamento do Brasil.
Deixo-vos ainda os vídeos já selecionados do Youtube sobre a descoberta do Brasil...
... e uma adaptação, muito bonita, da Carta de Pêro Vaz de Caminha.
... e ainda sobre a exploração do Brasil
Estudem. Não se descuidem! Dentro em breve teremos de novo teste de avaliação.
domingo, 18 de novembro de 2012
7ª Aula - A Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia
7ª Aula - A Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia
Sumário: A descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. O governo dos vice reis e o império português do Oriente.
Estão lembrados que iniciámos a aula relembrando que os portugueses visavam, com a abertura do caminho marítimo para a Índia, o enfraquecimento do poder muçulmano, porque detentor das rotas terrestres que atravessavam a Ásia e que colocava os produtos de luxo vindos do Oriente no Mediterrâneo, ao mesmo tempo os portugueses propunham-se trazer esses mesmo produtos, principalmente as tão cobiçadas especiarias, para a Europa, diretamente por mar, através de uma rota que ligasse o Atlântico ao Índico.
No dia 8 de Julho de 1497, saiu do Restelo uma armada composta por duas naus, uma caravela e um barco de mantimentos. Depois de fazerem escala nas Canárias, em Cabo Verde, na ilha de Santa Helena, passaram o cabo da Boa Esperança e navegaram no Índico, passando por Moçambique, Mombaça e Melinde. Aqui embarcaram um piloto experimentado na navegação no Índico que os guiou até Calecute, na Índia, cidade onde os portugueses desembarcaram em 28 de Maio de 1498, cidade que se revelaria muito cosmopolita e muito movimentada em pessoas e mercadorias, tais como pérolas, sedas, especiarias, porcelanas finas e pedras preciosas. Em Agosto de 1499 os primeiros sobreviventes começaram a chegar a Lisboa, cumprindo uma dura missão - estava finalmente aberta a Rota do Cabo cumprindo-se o sonho de D. João II, de chegar à Índia por mar.
Estas viagens, muito demoradas, eram complicadas de realizar devido à falta de condições de higiene a bordo e à carência de alimentos e de água potável que muitas vezes se fazia sentir. Doenças como o tifo, a tuberculose e o escorbuto, atacavam as tripulações e dizimavam-nas para além destes marinheiros terem de enfrentar as tempestades mais violentas para, não raro, encontrarem sepultura no mar.
Em 1503 foi construída a Casa da Índia, em Lisboa, onde vão passar a chegar os produtos do oriente, tão cobiçados na Europa.
Em 1505 D. Francisco de Almeida vai para a Índia como primeiro vice rei. Defende uma política de domínio no oceano Índico e para isso vai organizar uma poderosa armada que se vai impor neste oceano. Em 1509, D. Afonso de Albuquerque, o segundo vice rei, vai implementar uma política de conquista de praças em terra. Conquista Goa, na Índia, em 1510, Malaca, na península da Malásia, em 1511 e Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico, em 1515. Goa vai transformar-se na capital do império português do oriente.
Até 1570, o comércio, realizado através da rota do Cabo, foi monopólio da coroa portuguesa e, durante um século, as riquezas vindas do oriente alimentaram os luxos da coroa e do reino, transformando Portugal numa poderosa nação mercantil, apoiada numa vasta rede de fortalezas e feitorias. Até 1525, Portugal foi mesmo a mais poderosa nação mercantil do mundo.
A política oficial incentivava os portugueses a misturarem-se com as indianas promovendo, deste modo, a miscigenação entre populações de dois continentes tão diferentes e diversos.
Os missionários desempenharam um importante papel na cristianização das populações locais, aqui mais resistentes à mensagem do cristianismo devido às grandes e poderosas religiões professadas como o hinduísmo, o budismo e o islamismo já bem implantados entre os habitantes desta parte do continente asiático. A partir de 1541 os Jesuítas desempenharam um importantíssimo papel, tendo-se destacado, na sua ação evangelizadora, S. Francisco Xavier.
A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, encontra-se na minha página de recursos com o nome G - A descoberta do caminho marítimo para a Índia. Podem e devem consultá-la.
Deixo-vos, entretanto, um pequeno vídeo, em inglês para vocês o treinarem, sobre a vida e obra de Vasco da Gama, este intrépido navegador que mudou o curso da história.
Deixo-vos também dois episódios das antigas aulas da Telescola, da série Portugal no Tempo das Descobertas, sobre a viagem de Vasco da Gama para a Índia, sobre a descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral e sobre a exploração de África, Índia e Brasil.
Sumário: A descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama. O governo dos vice reis e o império português do Oriente.
Estão lembrados que iniciámos a aula relembrando que os portugueses visavam, com a abertura do caminho marítimo para a Índia, o enfraquecimento do poder muçulmano, porque detentor das rotas terrestres que atravessavam a Ásia e que colocava os produtos de luxo vindos do Oriente no Mediterrâneo, ao mesmo tempo os portugueses propunham-se trazer esses mesmo produtos, principalmente as tão cobiçadas especiarias, para a Europa, diretamente por mar, através de uma rota que ligasse o Atlântico ao Índico.
No dia 8 de Julho de 1497, saiu do Restelo uma armada composta por duas naus, uma caravela e um barco de mantimentos. Depois de fazerem escala nas Canárias, em Cabo Verde, na ilha de Santa Helena, passaram o cabo da Boa Esperança e navegaram no Índico, passando por Moçambique, Mombaça e Melinde. Aqui embarcaram um piloto experimentado na navegação no Índico que os guiou até Calecute, na Índia, cidade onde os portugueses desembarcaram em 28 de Maio de 1498, cidade que se revelaria muito cosmopolita e muito movimentada em pessoas e mercadorias, tais como pérolas, sedas, especiarias, porcelanas finas e pedras preciosas. Em Agosto de 1499 os primeiros sobreviventes começaram a chegar a Lisboa, cumprindo uma dura missão - estava finalmente aberta a Rota do Cabo cumprindo-se o sonho de D. João II, de chegar à Índia por mar.
Estas viagens, muito demoradas, eram complicadas de realizar devido à falta de condições de higiene a bordo e à carência de alimentos e de água potável que muitas vezes se fazia sentir. Doenças como o tifo, a tuberculose e o escorbuto, atacavam as tripulações e dizimavam-nas para além destes marinheiros terem de enfrentar as tempestades mais violentas para, não raro, encontrarem sepultura no mar.
Em 1503 foi construída a Casa da Índia, em Lisboa, onde vão passar a chegar os produtos do oriente, tão cobiçados na Europa.
Em 1505 D. Francisco de Almeida vai para a Índia como primeiro vice rei. Defende uma política de domínio no oceano Índico e para isso vai organizar uma poderosa armada que se vai impor neste oceano. Em 1509, D. Afonso de Albuquerque, o segundo vice rei, vai implementar uma política de conquista de praças em terra. Conquista Goa, na Índia, em 1510, Malaca, na península da Malásia, em 1511 e Ormuz, à entrada do Golfo Pérsico, em 1515. Goa vai transformar-se na capital do império português do oriente.
Até 1570, o comércio, realizado através da rota do Cabo, foi monopólio da coroa portuguesa e, durante um século, as riquezas vindas do oriente alimentaram os luxos da coroa e do reino, transformando Portugal numa poderosa nação mercantil, apoiada numa vasta rede de fortalezas e feitorias. Até 1525, Portugal foi mesmo a mais poderosa nação mercantil do mundo.
A política oficial incentivava os portugueses a misturarem-se com as indianas promovendo, deste modo, a miscigenação entre populações de dois continentes tão diferentes e diversos.
Os missionários desempenharam um importante papel na cristianização das populações locais, aqui mais resistentes à mensagem do cristianismo devido às grandes e poderosas religiões professadas como o hinduísmo, o budismo e o islamismo já bem implantados entre os habitantes desta parte do continente asiático. A partir de 1541 os Jesuítas desempenharam um importantíssimo papel, tendo-se destacado, na sua ação evangelizadora, S. Francisco Xavier.
A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, encontra-se na minha página de recursos com o nome G - A descoberta do caminho marítimo para a Índia. Podem e devem consultá-la.
Deixo-vos, entretanto, um pequeno vídeo, em inglês para vocês o treinarem, sobre a vida e obra de Vasco da Gama, este intrépido navegador que mudou o curso da história.
Deixo-vos também dois episódios das antigas aulas da Telescola, da série Portugal no Tempo das Descobertas, sobre a viagem de Vasco da Gama para a Índia, sobre a descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral e sobre a exploração de África, Índia e Brasil.
sábado, 17 de novembro de 2012
6ª Aula - A Exploração da Costa Ocidental Africana e os Antecedentes da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.
6ª Aula - A Exploração da Costa Ocidental Africana e os Antecedentes da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia
Sumário: A exploração da costa ocidental africana e o contrato de arrendamento entre D. Afonso V e Fernão Gomes.
Antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
A descoberta da América por Cristóvão Colombo. O Tratado de Tordesilhas.
Como já vimos em contexto de sala de aula, D. Afonso V, o Africano, sobiu ao trono em 1448. Em 1456 é descoberto o arquipélago de Cabo Verde mas D. Afonso V vai privilegiar uma política de conquistas no norte de África - conquista Alcácer Ceguer em 1458, Anafé em 1464, Arzila, onde o príncipe D. João, futuro D. João II, é armado cavaleiro, Tânger e Larache em 1471. No entanto não descura completamente a exploração da costa africana e, neste sentido, em 1469, D. Afonso V fez um contrato de arrendamento e de exploração, da costa ocidental africana, com Fernão Gomes, um rico mercador de Lisboa, pelo período de 5 anos. Fernão Gomes ficava obrigado a pagar 200 mil réis por ano e a descobrir, por cada ano de contrato, cem léguas para sul reservando para si, em troca, o comércio nessa zona em regime de monopólio. Este contrato revelou-se um êxito tal que foi alargado por mais um ano e durante a sua vigência foi explorada a costa africana do Golfo da Guiné ao Golfo de Santa Catarina, incluindo a rica região da Mina.
Entretanto, em 1479, foi assinado o Tratado das Alcáçovas entre Portugal e Castela que estipulava que Castela ficava com a posse do arquipélago das Canárias e Portugal ficava com os arquipélagos da Madeira, Açores e Cabo Verde e com a exploração e descobertas a sul das Canárias.
O rei D. João II, (1481-1495), filho de D. Afonso V, já governava o país nos últimos anos do reinado do seu pai mas só em 1481, após a sua morte, sobiu ao trono como Rei de Portugal.
Em 1482 começou a ser construída a feitoria de S. Jorge da Mina, atual Gana, que, ao entrar em funcionamento assegurando o comércio do ouro, escravos, malagueta e do marfim, provocou o declínio da feitoria de Arguim, mais a norte, na atual Mauritânia.
Entre 1482 e 1483, Diogo Cão explorou a costa ocidental africana até ao rio Zaire, explorou parte do percurso deste rio e regressou ao reino para voltar a encetar uma nova viagem inda mais para sul, 1485/86, que o levaria à exploração da costa de Angola e da Namíbia.
Em 1487, Pêro da Covilhã explorou parte do oceano Índico e da costa oriental africana e em 1488 Bartolomeu Dias passou o cabo das Tormentas, posteriormente cabo da Boa Esperança e abriu, finalmente, a passagem para o oceano Índico - era possível chegar à Índia por mar!
Entretanto Cristóvão Colombo apresentou a D. João II o plano de chegar à Índia por mar, navegando para ocidente, mas D. João II não o aceitou. Cristóvão Colombo vai acabar por o apresentar aos reis católicos de Espanha, Isabel e Fernando, que vão financiar a viagem. Cristóvão Colombo avistou as atuais Bahamas em 1492, desembarcou em La Hispaniola, atual Haiti e em Cuba tendo regressado a Espanha em 1493.
D. João II, com base no Tratado das Alcáçovas, reivindicou o território descoberto por Colombo e tornou-se necessário fazer um novo tratado que pusesse fim à disputa pelo novo território descoberto.
D. João II negociou e assinou o Tratado de Tordesilhas que instituiu o princípio do "Mare Clausum", mar fechado à navegação para além da espanhola e portuguesa e que estipulava que o mundo ficava dividido em duas zonas de influência por um meridiano que passava a 370 léguas a oeste de Cabo Verde e que as terras descobertas ou a descobrir a oeste deste meridiano seriam pertença de Castela e as terras descobertas ou a descobrir a oriente deste meridiano seriam pertença de Portugal.
Com este tratado, habilmente negociado por D. João II, Portugal reservou para si a exploração do caminho marítimo para a Índia e o Brasil, matéria reservada às duas próximas aulas.
A apresentação em PowerPoint está publicada na minha página de recursos com o nome de F- A exploração da costa ocidental africana e os antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Consultem-na! Façam os trabalhos de casa!
Aproveitem para rever a parte final do vídeo 10 - Portugal no tempo das descobertas, publicado na aula nº 4.
E para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre caravelas, naus e galeões... melhorando a nossa auto-estima, já agora...
Sumário: A exploração da costa ocidental africana e o contrato de arrendamento entre D. Afonso V e Fernão Gomes.
Antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
A descoberta da América por Cristóvão Colombo. O Tratado de Tordesilhas.
Como já vimos em contexto de sala de aula, D. Afonso V, o Africano, sobiu ao trono em 1448. Em 1456 é descoberto o arquipélago de Cabo Verde mas D. Afonso V vai privilegiar uma política de conquistas no norte de África - conquista Alcácer Ceguer em 1458, Anafé em 1464, Arzila, onde o príncipe D. João, futuro D. João II, é armado cavaleiro, Tânger e Larache em 1471. No entanto não descura completamente a exploração da costa africana e, neste sentido, em 1469, D. Afonso V fez um contrato de arrendamento e de exploração, da costa ocidental africana, com Fernão Gomes, um rico mercador de Lisboa, pelo período de 5 anos. Fernão Gomes ficava obrigado a pagar 200 mil réis por ano e a descobrir, por cada ano de contrato, cem léguas para sul reservando para si, em troca, o comércio nessa zona em regime de monopólio. Este contrato revelou-se um êxito tal que foi alargado por mais um ano e durante a sua vigência foi explorada a costa africana do Golfo da Guiné ao Golfo de Santa Catarina, incluindo a rica região da Mina.
Entretanto, em 1479, foi assinado o Tratado das Alcáçovas entre Portugal e Castela que estipulava que Castela ficava com a posse do arquipélago das Canárias e Portugal ficava com os arquipélagos da Madeira, Açores e Cabo Verde e com a exploração e descobertas a sul das Canárias.
O rei D. João II, (1481-1495), filho de D. Afonso V, já governava o país nos últimos anos do reinado do seu pai mas só em 1481, após a sua morte, sobiu ao trono como Rei de Portugal.
Em 1482 começou a ser construída a feitoria de S. Jorge da Mina, atual Gana, que, ao entrar em funcionamento assegurando o comércio do ouro, escravos, malagueta e do marfim, provocou o declínio da feitoria de Arguim, mais a norte, na atual Mauritânia.
Entre 1482 e 1483, Diogo Cão explorou a costa ocidental africana até ao rio Zaire, explorou parte do percurso deste rio e regressou ao reino para voltar a encetar uma nova viagem inda mais para sul, 1485/86, que o levaria à exploração da costa de Angola e da Namíbia.
Em 1487, Pêro da Covilhã explorou parte do oceano Índico e da costa oriental africana e em 1488 Bartolomeu Dias passou o cabo das Tormentas, posteriormente cabo da Boa Esperança e abriu, finalmente, a passagem para o oceano Índico - era possível chegar à Índia por mar!
Entretanto Cristóvão Colombo apresentou a D. João II o plano de chegar à Índia por mar, navegando para ocidente, mas D. João II não o aceitou. Cristóvão Colombo vai acabar por o apresentar aos reis católicos de Espanha, Isabel e Fernando, que vão financiar a viagem. Cristóvão Colombo avistou as atuais Bahamas em 1492, desembarcou em La Hispaniola, atual Haiti e em Cuba tendo regressado a Espanha em 1493.
D. João II, com base no Tratado das Alcáçovas, reivindicou o território descoberto por Colombo e tornou-se necessário fazer um novo tratado que pusesse fim à disputa pelo novo território descoberto.
D. João II negociou e assinou o Tratado de Tordesilhas que instituiu o princípio do "Mare Clausum", mar fechado à navegação para além da espanhola e portuguesa e que estipulava que o mundo ficava dividido em duas zonas de influência por um meridiano que passava a 370 léguas a oeste de Cabo Verde e que as terras descobertas ou a descobrir a oeste deste meridiano seriam pertença de Castela e as terras descobertas ou a descobrir a oriente deste meridiano seriam pertença de Portugal.
Com este tratado, habilmente negociado por D. João II, Portugal reservou para si a exploração do caminho marítimo para a Índia e o Brasil, matéria reservada às duas próximas aulas.
A apresentação em PowerPoint está publicada na minha página de recursos com o nome de F- A exploração da costa ocidental africana e os antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Consultem-na! Façam os trabalhos de casa!
Aproveitem para rever a parte final do vídeo 10 - Portugal no tempo das descobertas, publicado na aula nº 4.
E para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre caravelas, naus e galeões... melhorando a nossa auto-estima, já agora...
sábado, 10 de novembro de 2012
Aviso - Aulas
Aviso - Aulas
Meus queridos alunos,
conforme prometido, deixo-vos as duas últimas aulas já lecionadas e exploradas em contexto de sala de aula, publicadas com os nomes de F - A exploração da costa ocidental africana e os antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia e G - A descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Entretanto, sabeis que nós professores andamos com reuniões intercalares na escola e eu tenho os vossos testes e portefólios todos para corrigir de fio a pavio... isto para vos dizer que os meus dias precisavam de ter 48 horas e não têm e que, por isso, as aulas aqui no blogue ainda vão ter de esperar um pouquito mais...
Desejo-vos um excelente trabalho e um excelente fim de semana!
Meus queridos alunos,
conforme prometido, deixo-vos as duas últimas aulas já lecionadas e exploradas em contexto de sala de aula, publicadas com os nomes de F - A exploração da costa ocidental africana e os antecedentes da descoberta do caminho marítimo para a Índia e G - A descoberta do caminho marítimo para a Índia.
Entretanto, sabeis que nós professores andamos com reuniões intercalares na escola e eu tenho os vossos testes e portefólios todos para corrigir de fio a pavio... isto para vos dizer que os meus dias precisavam de ter 48 horas e não têm e que, por isso, as aulas aqui no blogue ainda vão ter de esperar um pouquito mais...
Desejo-vos um excelente trabalho e um excelente fim de semana!
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Aviso
Aviso
A matéria para o teste sai da apresentação A até à apresentação E. No entanto, acrescentei ainda o contrato de arrendamento realizado entre D. Afonso V e Fernão Gomes, que vocês deverão estudar pelo livro.
Bom trabalho! Estudem!
E já sabem, para qualquer dúvida, estou ao vosso dispor.
A matéria para o teste sai da apresentação A até à apresentação E. No entanto, acrescentei ainda o contrato de arrendamento realizado entre D. Afonso V e Fernão Gomes, que vocês deverão estudar pelo livro.
Bom trabalho! Estudem!
E já sabem, para qualquer dúvida, estou ao vosso dispor.
sábado, 27 de outubro de 2012
5ª Aula - A Expansão Portuguesa no Período Henriquino
5ª Aula - A Expansão Portuguesa no Período Henriquino
Por agora apenas a apresentação em PowerPoint, já reciclada, que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.
Em 1418 João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à ilha de Porto Santo e no ano seguinte, em 1419, João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo à ilha da Madeira.
Em 1427 Diogo de Silves chegou aos Açores, ao grupo oriental,composto pelas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel. A partir de 1431, Gonçalo Velho Cabral terá feito o reconhecimento de todo o grupo central composto pelas ilhas Terceira, S. Jorge, Faial, Graciosa e Pico e, em 1452, Diogo e seu filho João de Teive partiram do Faial e chegaram ao grupo ocidental, o mais afastado da nossa costa continental, composto pelas ilhas das Flores e do Corvo.
Os arquipélagos da Madeira e o dos Açores não eram completamente desconhecidos à data da chegada dos navegadores portugueses já que algumas ilhas apareciam referenciadas em mapas anteriores aos das datas oficiais de "descoberta" e muito provavelmente as ilhas teriam sido visitadas desde a antiguidade.
Os dois arquipélagos estavam desabitados, tinham um clima ameno, chuvas abundantes, terras férteis e mar rico em peixe e marisco o que facilitou o povoamento e exploração.
As ilhas, doadas pela coroa ao infante D. Henrique, foram divididas em capitanias e entregues a capitães-donatários, senhores à maneira feudal, que administravam as capitanias, tinham monopólios no comércio de certos produtos e exerciam a justiça nas suas terras e que tinham como missão povoar e explorar os territórios das suas capitanias ou donatarias.
Na ilha da Madeira, inicialmente explorou-se a madeira, tão abundante que lhe deu o nome, praticou-se a pesca, a apanha de marisco e foram introduzidos os cereais, os legumes variados, a cana de açúcar e a vinha.
Nos Açores explorou-se a urzela, o pastel, a madeira, praticou-se a pesca e a apanha de marisco e introduziram-se os cereais, a cana de açúcar, os legumes e a criação de gado.
Os arquipélagos foram povoados essencialmente com gente do continente a que acresce, no caso dos Açores, colonos oriundos da Flandres.
Entretanto a exploração da costa africana prossegue para sul e em 1434 Gil Eanes, a bordo duma barca, dobra o cabo Bojador, no atual Sahara Ocidental, território atualmente ocupado por Marrocos, zona de navegação perigosa devido à existência de bancos de areia ou baixios, correntes marítimas e ventos fortíssimos que levantam as areias do deserto provocando, por vezes, falta de visibilidade total. Mas para além destes perigos, reais, do lado de lá do referido cabo os navegadores portugueses não haveriam de encontrar dragões, sereias, não veriam a água do oceano ferver e não encontrariam, no continente africano, negros sem cabeça e com o rosto embutido no tronco, homens só com um pé gigante ou só com um olhos no meio da testa...
Entretanto, em 1437 dá-se o desastre de Tânger. A expedição era comandada por D. Henrique e D. Fernando mas a conquista não foi bem sucedida e os muçulmanos só deixaram retornar os portugueses ao reino com a garantia da entrega de Ceuta e o Infante D. Fernando feito prisioneiro e refém até se efectivar a entrega da referida praça, o que não chegou a acontecer. D. Fernando morreu no cativeiro, em Fez, depois de anos de privações e sofrimentos.
Em 1443 Nuno Tristão chega a Arguim, onde, em 1445, os portugueses edificaram a primeira feitoria que haveria de servir de modelo a construções posteriores, como a feitoria de S. Jorge da Mina.
Em 1456 Cadamosto descobre o arquipélago de Cabo Verde, desabitado, mas que não tem tão boas condições naturais para a fixação das populações como os anteriormente estudados, pois tinha um clima quente e seco, falta de água e solos inférteis, daí que o povoamento e a sua exploração vão ser muito lentos.
Em 1460, Pedro de Sintra chega à Serra Leoa e nesse mesmo ano morre o Infante D. Henrique. Com o seu desaparecimento termina o período henriquino da expansão portuguesa, período durante o qual é a figura do D. Henrique que lidera, impulsiona e financia as descobertas.
Não se esqueçam do seu lema de vida: "Talent de bien faire". Adotem-no!
Deixo-vos,como sempre, a apresentação em PowerPoint explorada em contexto de sala de aula e já reciclada e que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.
Relembro que a matéria para o teste sai até esta aula, apenas com mais o acrescento do contrato de arrendamento entre D. Afonso V e Fernão Gomes. Estudem!
Talvez este vídeo vos possa ajudar a consolidar as matérias.
Por último, deixo-vos um vídeo bastante interessante, da Telescola, sobre a Madeira e os Açores.
Por agora apenas a apresentação em PowerPoint, já reciclada, que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.
Em 1418 João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à ilha de Porto Santo e no ano seguinte, em 1419, João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo à ilha da Madeira.
Em 1427 Diogo de Silves chegou aos Açores, ao grupo oriental,composto pelas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel. A partir de 1431, Gonçalo Velho Cabral terá feito o reconhecimento de todo o grupo central composto pelas ilhas Terceira, S. Jorge, Faial, Graciosa e Pico e, em 1452, Diogo e seu filho João de Teive partiram do Faial e chegaram ao grupo ocidental, o mais afastado da nossa costa continental, composto pelas ilhas das Flores e do Corvo.
Os arquipélagos da Madeira e o dos Açores não eram completamente desconhecidos à data da chegada dos navegadores portugueses já que algumas ilhas apareciam referenciadas em mapas anteriores aos das datas oficiais de "descoberta" e muito provavelmente as ilhas teriam sido visitadas desde a antiguidade.
Os dois arquipélagos estavam desabitados, tinham um clima ameno, chuvas abundantes, terras férteis e mar rico em peixe e marisco o que facilitou o povoamento e exploração.
As ilhas, doadas pela coroa ao infante D. Henrique, foram divididas em capitanias e entregues a capitães-donatários, senhores à maneira feudal, que administravam as capitanias, tinham monopólios no comércio de certos produtos e exerciam a justiça nas suas terras e que tinham como missão povoar e explorar os territórios das suas capitanias ou donatarias.
Na ilha da Madeira, inicialmente explorou-se a madeira, tão abundante que lhe deu o nome, praticou-se a pesca, a apanha de marisco e foram introduzidos os cereais, os legumes variados, a cana de açúcar e a vinha.
Nos Açores explorou-se a urzela, o pastel, a madeira, praticou-se a pesca e a apanha de marisco e introduziram-se os cereais, a cana de açúcar, os legumes e a criação de gado.
Os arquipélagos foram povoados essencialmente com gente do continente a que acresce, no caso dos Açores, colonos oriundos da Flandres.
Entretanto a exploração da costa africana prossegue para sul e em 1434 Gil Eanes, a bordo duma barca, dobra o cabo Bojador, no atual Sahara Ocidental, território atualmente ocupado por Marrocos, zona de navegação perigosa devido à existência de bancos de areia ou baixios, correntes marítimas e ventos fortíssimos que levantam as areias do deserto provocando, por vezes, falta de visibilidade total. Mas para além destes perigos, reais, do lado de lá do referido cabo os navegadores portugueses não haveriam de encontrar dragões, sereias, não veriam a água do oceano ferver e não encontrariam, no continente africano, negros sem cabeça e com o rosto embutido no tronco, homens só com um pé gigante ou só com um olhos no meio da testa...
Entretanto, em 1437 dá-se o desastre de Tânger. A expedição era comandada por D. Henrique e D. Fernando mas a conquista não foi bem sucedida e os muçulmanos só deixaram retornar os portugueses ao reino com a garantia da entrega de Ceuta e o Infante D. Fernando feito prisioneiro e refém até se efectivar a entrega da referida praça, o que não chegou a acontecer. D. Fernando morreu no cativeiro, em Fez, depois de anos de privações e sofrimentos.
Em 1443 Nuno Tristão chega a Arguim, onde, em 1445, os portugueses edificaram a primeira feitoria que haveria de servir de modelo a construções posteriores, como a feitoria de S. Jorge da Mina.
Em 1456 Cadamosto descobre o arquipélago de Cabo Verde, desabitado, mas que não tem tão boas condições naturais para a fixação das populações como os anteriormente estudados, pois tinha um clima quente e seco, falta de água e solos inférteis, daí que o povoamento e a sua exploração vão ser muito lentos.
Em 1460, Pedro de Sintra chega à Serra Leoa e nesse mesmo ano morre o Infante D. Henrique. Com o seu desaparecimento termina o período henriquino da expansão portuguesa, período durante o qual é a figura do D. Henrique que lidera, impulsiona e financia as descobertas.
Não se esqueçam do seu lema de vida: "Talent de bien faire". Adotem-no!
Deixo-vos,como sempre, a apresentação em PowerPoint explorada em contexto de sala de aula e já reciclada e que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.
Relembro que a matéria para o teste sai até esta aula, apenas com mais o acrescento do contrato de arrendamento entre D. Afonso V e Fernão Gomes. Estudem!
Talvez este vídeo vos possa ajudar a consolidar as matérias.
Por último, deixo-vos um vídeo bastante interessante, da Telescola, sobre a Madeira e os Açores.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
4ª Aula - A Conquista de Ceuta
4ª Aula - A Conquista de Ceuta
Sumário: Razões da conquista de Ceuta e o fracasso económico dessa conquista.
O papel do infante D. Henrique na expansão portuguesa.
Na última aula falámos das razões, várias, que determinaram a escolha de Ceuta como primeira praça a conquistar, pelos portugueses, em todo o continente africano.
A cidade de Ceuta, importante porto de pesca à época, ficava, e fica, num local estratégico do ponto de vista geográfico - situada no norte de África, numa posição costeira privilegiada sobre o estreito de Gibraltar donde se podia controlar toda a navegação que circulava entre o Mediterrâneo e o Atlântico, daí partia a pirataria moura que assolava a costa algarvia e nos acarretava pesadas perdas e prejuízos diversos em homens e bens, na atividade piscatória e no comércio. Para além das razões já expostas, Ceuta era ponto de chegada das rotas caravaneiras oriundas do centro de África, que traziam ouro, especiarias e escravos. Acresce ainda que a região à volta de Ceuta era muito fértil e produzia cereais em abundância, especialmente trigo, de que o reino de Portugal era carente. Se as razões anteriormente apontadas são de carácter económico ainda podemos apontar uma outra de caráter religioso - os muçulmanos eram inimigos da fé cristã e era conveniente enfraquecer o seu poder.
No dia 25 de Julho de 1415 partiu de Lisboa uma poderosa armada composta por duzentas embarcações, comandada pelo próprio rei D. João I. A bordo vão ainda três dos seus filhos, os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.
A expedição foi um êxito militar já que, no dia 21 de Agosto, a cidade de Ceuta foi conquistada e, logo no dia seguinte, o rei D. João I armou cavaleiros os seus três filhos, numa cerimónia realizada numa antiga mesquita transformada em igreja. Mas a conquista revelar-se-ia um fracasso do ponto de vista económico pois a cidade, cristã, ficou isolada num contexto muçulmano, os muçulmanos desviaram as rotas comerciais e Ceuta deixou de receber os produtos tão cobiçados pelos portugueses, principalmente o ouro, necessário para a cunhagem de moeda; as terras à volta de Ceuta foram abandonadas devido aos ataques de um e de outro lado e deixaram de produzir o tão necessário trigo... na verdade a situação era tão grave que os habitantes de Ceuta eram abastecidos de alimentos a partir de Lisboa.
Quanto ao infante D. Henrique, nascido na cidade do Porto em 4 de Março de 1394, direi apenas que liderou a expansão portuguesa desde 1416 até à sua morte, em 1460. O restante da sua biografia... espero eu descobrir com os vossos trabalhos de pesquisa sobre este personagem de primeira água que se destacou na nossa história coletiva.
A apresentação em PowerPoint explorada na sala de aula tem o nome de D - A Conquista de Ceuta, pf não deixem de a consultar.
E agora deixo-vos com alguns vídeos interessantes sobre este fascinante período da nossa história:
Aqui vos deixo o Infante D. Henrique e a Expansão portuguesa.
E aqui uma aulinha antiga, mas ainda atual, em que podereis rever alguns dos assuntos que abordámos e explorámos em contexto de sala de aula e outros que ainda abordaremos...
Sumário: Razões da conquista de Ceuta e o fracasso económico dessa conquista.
O papel do infante D. Henrique na expansão portuguesa.
Na última aula falámos das razões, várias, que determinaram a escolha de Ceuta como primeira praça a conquistar, pelos portugueses, em todo o continente africano.
A cidade de Ceuta, importante porto de pesca à época, ficava, e fica, num local estratégico do ponto de vista geográfico - situada no norte de África, numa posição costeira privilegiada sobre o estreito de Gibraltar donde se podia controlar toda a navegação que circulava entre o Mediterrâneo e o Atlântico, daí partia a pirataria moura que assolava a costa algarvia e nos acarretava pesadas perdas e prejuízos diversos em homens e bens, na atividade piscatória e no comércio. Para além das razões já expostas, Ceuta era ponto de chegada das rotas caravaneiras oriundas do centro de África, que traziam ouro, especiarias e escravos. Acresce ainda que a região à volta de Ceuta era muito fértil e produzia cereais em abundância, especialmente trigo, de que o reino de Portugal era carente. Se as razões anteriormente apontadas são de carácter económico ainda podemos apontar uma outra de caráter religioso - os muçulmanos eram inimigos da fé cristã e era conveniente enfraquecer o seu poder.
No dia 25 de Julho de 1415 partiu de Lisboa uma poderosa armada composta por duzentas embarcações, comandada pelo próprio rei D. João I. A bordo vão ainda três dos seus filhos, os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.
A expedição foi um êxito militar já que, no dia 21 de Agosto, a cidade de Ceuta foi conquistada e, logo no dia seguinte, o rei D. João I armou cavaleiros os seus três filhos, numa cerimónia realizada numa antiga mesquita transformada em igreja. Mas a conquista revelar-se-ia um fracasso do ponto de vista económico pois a cidade, cristã, ficou isolada num contexto muçulmano, os muçulmanos desviaram as rotas comerciais e Ceuta deixou de receber os produtos tão cobiçados pelos portugueses, principalmente o ouro, necessário para a cunhagem de moeda; as terras à volta de Ceuta foram abandonadas devido aos ataques de um e de outro lado e deixaram de produzir o tão necessário trigo... na verdade a situação era tão grave que os habitantes de Ceuta eram abastecidos de alimentos a partir de Lisboa.
Quanto ao infante D. Henrique, nascido na cidade do Porto em 4 de Março de 1394, direi apenas que liderou a expansão portuguesa desde 1416 até à sua morte, em 1460. O restante da sua biografia... espero eu descobrir com os vossos trabalhos de pesquisa sobre este personagem de primeira água que se destacou na nossa história coletiva.
A apresentação em PowerPoint explorada na sala de aula tem o nome de D - A Conquista de Ceuta, pf não deixem de a consultar.
E agora deixo-vos com alguns vídeos interessantes sobre este fascinante período da nossa história:
Aqui vos deixo o Infante D. Henrique e a Expansão portuguesa.
E aqui uma aulinha antiga, mas ainda atual, em que podereis rever alguns dos assuntos que abordámos e explorámos em contexto de sala de aula e outros que ainda abordaremos...
terça-feira, 16 de outubro de 2012
3ª Aula - Condicionalismos da Expansão
3º Aula - Condicionalismos da Expansão
Sumário: Os condicionalismos da expansão europeia e a busca de novas rotas comerciais. Condições da prioridade portuguesa na expansão europeia.
A partir do século XV a vida na Europa voltou a melhorar: o clima melhorou, aumentaram as produções e a população, o comércio reanimou principalmente no Mediterrâneo e no Báltico e surgiu uma necessidade cada vez maior de ouro e de prata, necessários para cunhar a moeda que circulava cada vez mais abundantemente.
As principais rotas comerciais terrestres que atravessavam o continente asiático e africano estavam nas mãos dos muçulmanos que detinham grande parte dos lucros deste comércio
Em 1453 os Turcos conquistaram Constantinopla, caiu o Império Romano do Oriente, ou Bizantino e os Turcos avançaram sobre o norte de África dificultando a chegada dos produtos de luxo à Europa.
Em Portugal continuava a haver falta de cereais mas o comércio reanimava-se, o que exigia cada vez mais ouro para cunhar a moeda indispensável aos pagamentos devidos pelas transações comerciais, nomeadamente para pagar as importações de produtos de luxo, tão apreciados no reino. Era necessário chegar às regiões produtoras de ouro e especiarias...
Ceuta foi conquistada em 1415 e marcou o início da expansão portuguesa e europeia. Mas o que explicou esta prioridade portuguesa na expansão?
Por um lado, Portugal tinha uma costa extensa, bons portos naturais e uma localização estratégica entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Por outro lado tinha excelentes recursos naturais uma vez que tinha população familiarizada com o mar, quer devido à pesca, quer devido ao comércio marítimo. Os marinheiros conheciam o astrolábio, o quadrante, a balestilha e a bússola. Praticavam a navegação astronómica, em alto mar, orientando-se pelos astros. Tinham bons conhecimentos de cálculo matemático e astronomia.
Para além disto, D. João I tinha pacificado o reino e reforçado o poder real e tinha-se rodeado por quadros novos que o ajudavam na governação, provindos principalmente da burguesia e da baixa nobreza. A mentalidade era outra, mais dinâmica e arrojada, mais motivada para o trabalho, o risco, o lucro.
Para além das razões anteriormente apontadas, o espírito de cruzada mantinha-se vivo.
Enfim, toda a sociedade portuguesa tinha interesses na expansão: o povo queria melhorar a sua vida, ter mais oportunidades de emprego, a burguesia queria ter acesso a novos produtos aumentando os seus lucros, o clero queria aumentar as suas rendas e domínios e expandir a fé cristã, a nobreza estava desocupada da sua principal função e queria fazer a guerra, combater e finalmente a coroa queria aumentar o seu prestígio social, principalmente a nível externo.
De notar que, no início do século XV, à data do início da expansão portuguesa, os europeus só conheciam cerca de 1/4 do globo terrestre e as representações das terras conhecidas estavam cheias de incorreções. Ora os portugueses vão contribuir enormemente para o conhecimento planetário, como veremos nas próximas aulas.
A apresentação explorada em contexto de sala de aula está no sítio do costume arquivada com o nome C - Condicionalismos da expansão.
Entretanto ainda não encontrei qualquer vídeo adequado, sobre esta matéria, no Youtube... se encontrar colocarei aqui mesmo, não duvidem!
E agora, votos de bom trabalho!
Sumário: Os condicionalismos da expansão europeia e a busca de novas rotas comerciais. Condições da prioridade portuguesa na expansão europeia.
A partir do século XV a vida na Europa voltou a melhorar: o clima melhorou, aumentaram as produções e a população, o comércio reanimou principalmente no Mediterrâneo e no Báltico e surgiu uma necessidade cada vez maior de ouro e de prata, necessários para cunhar a moeda que circulava cada vez mais abundantemente.
As principais rotas comerciais terrestres que atravessavam o continente asiático e africano estavam nas mãos dos muçulmanos que detinham grande parte dos lucros deste comércio
Em 1453 os Turcos conquistaram Constantinopla, caiu o Império Romano do Oriente, ou Bizantino e os Turcos avançaram sobre o norte de África dificultando a chegada dos produtos de luxo à Europa.
Em Portugal continuava a haver falta de cereais mas o comércio reanimava-se, o que exigia cada vez mais ouro para cunhar a moeda indispensável aos pagamentos devidos pelas transações comerciais, nomeadamente para pagar as importações de produtos de luxo, tão apreciados no reino. Era necessário chegar às regiões produtoras de ouro e especiarias...
Ceuta foi conquistada em 1415 e marcou o início da expansão portuguesa e europeia. Mas o que explicou esta prioridade portuguesa na expansão?
Por um lado, Portugal tinha uma costa extensa, bons portos naturais e uma localização estratégica entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Por outro lado tinha excelentes recursos naturais uma vez que tinha população familiarizada com o mar, quer devido à pesca, quer devido ao comércio marítimo. Os marinheiros conheciam o astrolábio, o quadrante, a balestilha e a bússola. Praticavam a navegação astronómica, em alto mar, orientando-se pelos astros. Tinham bons conhecimentos de cálculo matemático e astronomia.
Para além disto, D. João I tinha pacificado o reino e reforçado o poder real e tinha-se rodeado por quadros novos que o ajudavam na governação, provindos principalmente da burguesia e da baixa nobreza. A mentalidade era outra, mais dinâmica e arrojada, mais motivada para o trabalho, o risco, o lucro.
Para além das razões anteriormente apontadas, o espírito de cruzada mantinha-se vivo.
Enfim, toda a sociedade portuguesa tinha interesses na expansão: o povo queria melhorar a sua vida, ter mais oportunidades de emprego, a burguesia queria ter acesso a novos produtos aumentando os seus lucros, o clero queria aumentar as suas rendas e domínios e expandir a fé cristã, a nobreza estava desocupada da sua principal função e queria fazer a guerra, combater e finalmente a coroa queria aumentar o seu prestígio social, principalmente a nível externo.
De notar que, no início do século XV, à data do início da expansão portuguesa, os europeus só conheciam cerca de 1/4 do globo terrestre e as representações das terras conhecidas estavam cheias de incorreções. Ora os portugueses vão contribuir enormemente para o conhecimento planetário, como veremos nas próximas aulas.
A apresentação explorada em contexto de sala de aula está no sítio do costume arquivada com o nome C - Condicionalismos da expansão.
Entretanto ainda não encontrei qualquer vídeo adequado, sobre esta matéria, no Youtube... se encontrar colocarei aqui mesmo, não duvidem!
E agora, votos de bom trabalho!
domingo, 7 de outubro de 2012
Esclarecimento Diapositivos Crise de 1383/85
Loudel de D. João I - Batalha de Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
Queridos alunos,
vós bem sabeis que eu sou irrequieta... e assim sendo acabei de alterar a apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, B - A Crise de 1383/85. Acrescentei-lhe um diapositivo novo, o número 19, que não interfere com a estrutura e com o conteúdo da aula sendo "apenas" um acrescento à vossa cultura geral. Quanto ao diapositivo 18 apenas alterei as fotografias, agora todas da minha autoria.
Deixo aqui a informação que não deixarei de partilhar convosco durante a próxima semana, durante as aulas de História.
Até lá... bom trabalho!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Portefólio
Trabalho de Aluno Muito Criativo - Amarante
Portefólio
Meus queridos alunos,
como sabeis, a apresentação em PowerPoint sobre o que é um portefólio, para que serve e como fazer estava-vos prometida desde que o ano lectivo começou.
Devo-vos dizer, e para quem não sabe, que esta apresentação resultou de uma parceria feliz sem a qual o meu trabalho não estaria tão dignificado.
Aqui deixo os meus agradecimentos ao Zé, pela sua criatividade e pela sua generosidade em partilhar o seu trabalho comigo/convosco!
Se tiverem dúvidas, sobre como organizar o vosso portefólio de história, não há que saber, podem agora consultar o modelo partilhado com o nome AA - Portefólio de História e que pretende ser apenas uma orientação para o vosso trabalho que se quer limpo, organizado e belo.
Votos de bom trabalho!
Fotografia de José Miguel Alves Pereira
Meus queridos alunos,
como sabeis, a apresentação em PowerPoint sobre o que é um portefólio, para que serve e como fazer estava-vos prometida desde que o ano lectivo começou.
Devo-vos dizer, e para quem não sabe, que esta apresentação resultou de uma parceria feliz sem a qual o meu trabalho não estaria tão dignificado.
Aqui deixo os meus agradecimentos ao Zé, pela sua criatividade e pela sua generosidade em partilhar o seu trabalho comigo/convosco!
Se tiverem dúvidas, sobre como organizar o vosso portefólio de história, não há que saber, podem agora consultar o modelo partilhado com o nome AA - Portefólio de História e que pretende ser apenas uma orientação para o vosso trabalho que se quer limpo, organizado e belo.
Votos de bom trabalho!
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
2ª Aula - A Crise de 1383-85
2ª Aula - A Crise de 1383-85
Sumário: O Tratado de Salvaterra de Magos. A morte de D. Fernando, último rei da dinastia afonsina, e a crise de 1383/85. A subida ao trono de D. João I, primeiro rei da segunda dinastia ou dinastia de Avis.
Como estão recordados, na última aula falámos do rei D. Fernando e do seu envolvimento em três guerras com Castela, as chamadas guerras fernandinas, todas perdidas para Castela e que causaram ainda mais empobrecimento ao reino, já a braços com enormes dificuldades económicas, demográficas, sociais.
Em 2 de abril de 1383 foi assinado um complexo tratado entre D. Fernando, rei de Portugal, e o rei D. João I de Castela, o Tratado de Salvaterra de Magos, que estipulava o casamento da filha única de D. Fernando e de Dona Leonor de Teles, Dona Beatriz, com D. João I de Castela. Estipulava ainda que, à morte de D. Fernando, se não houvesse herdeiro varão, Dona Leonor de Teles ficaria regente até Dona Beatriz ter um filho com catorze anos, em posição de assumir os destinos do trono português.
A 30 de abril, Dona Beatriz casou com D. João I e, a 22 de outubro, D. Fernando morreu abrindo em Portugal uma crise política devido ao problema da sucessão.
A rainha viúva, dona Leonor de Teles, assumiu a regência do trono português mas rapidamente surgiram as primeiras revoltas contra esta rainha não amada pela generalidade do povo, entre outros motivos pela influência que sobre ela tinha o Conde João Fernandes Andeiro, nobre galego seu conselheiro.
Os acontecimentos precipitaram-se e, a 6 de dezembro, Álvaro Pais chefia uma conspiração para matar o conde. D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo do rei D. Pedro e meio irmão de D. Fernando, entra no Paço da Rainha com um grupo de conspiradores e mata o conde. Dona Leonor foge para Santarém e dali envia um mensageiro à corte de castela solicitando ajuda ao seu genro, D. João I.
A sociedade portuguesa divide-se em duas fações - o povo, a burguesia, o baixo clero e a baixa nobreza apoiam o Mestre de Avis enquanto a alta nobreza e o alto clero apoiam os interesses e pretensões de Castela.
Entretanto, a 15 de dezembro de 1383, em Lisboa, reúne uma assembleia popular que elege o Mestre de Avis "Regedor e Defensor do Reino".
Em janeiro de 1384 as tropas castelhanas invadiram Portugal e no dia 6 de Abril desse mesmo ano os dois exércitos enfrentaram-se na batalha dos Atoleiros, saindo vitoriosas as tropas portuguesas, comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, apesar do número bastante inferior, batalha onde, pela primeira vez, foi usada a tática do quadrado.
A 29 de maio de 1384, D. João I de Castela cerca Lisboa, cidade cuja defesa estava à guarda de D. João, Mestre de Avis. O cerco durou quatro longos meses e foi muito penoso para as populações devido às privações alimentares... entretanto a peste instalou-se no exército castelhano que levantou o cerco, libertando, deste modo, a cidade.
O prestígio do Mestre foi crescendo, muitas povoações apoiavam-no e a 6 de abril de 1385, o Mestre de Avis, nas Cortes de Coimbra, foi aclamado rei de Portugal com o título de D. João I.
D. João I de Castela invade, de novo, Portugal. Travam-se as batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde, todas ganhas por Portugal e que ajudaram a consolidar a independência nacional.
Em 1386, D. João I mandou edificar o mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, que comemora a vitória dos portugueses na batalha de Aljubarrota.
Podes visitá-lo, virtualmente, aqui.
A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, encontra-se na hiperligação B - A Crise de 1383/85.
E agora tenho uma enooooorme surpresa para grande parte dos meus alunos... sim, são vocês no vídeo... ainda tão pequeninos! durante a representação teatral preparada pela vossa muito querida professora Ana Oliveira que vos ensaiou e que aplanou trabalho para que vocês chegassem às minhas mãos, no 7º ano de escolaridade, a amar História.
Deixem-me desabafar... que saudades desta vossa professora de História e do trabalho, entusiasmado, que partilhámos um dia...
Tomara que a EB 2/3 de Amarante possa contar, um dia, e de novo, com o seu trabalho...
Ainda sobre a crise, uma síntese...
... e agora, dou a palavra a José Hermano Saraiva.
Sumário: O Tratado de Salvaterra de Magos. A morte de D. Fernando, último rei da dinastia afonsina, e a crise de 1383/85. A subida ao trono de D. João I, primeiro rei da segunda dinastia ou dinastia de Avis.
Como estão recordados, na última aula falámos do rei D. Fernando e do seu envolvimento em três guerras com Castela, as chamadas guerras fernandinas, todas perdidas para Castela e que causaram ainda mais empobrecimento ao reino, já a braços com enormes dificuldades económicas, demográficas, sociais.
Em 2 de abril de 1383 foi assinado um complexo tratado entre D. Fernando, rei de Portugal, e o rei D. João I de Castela, o Tratado de Salvaterra de Magos, que estipulava o casamento da filha única de D. Fernando e de Dona Leonor de Teles, Dona Beatriz, com D. João I de Castela. Estipulava ainda que, à morte de D. Fernando, se não houvesse herdeiro varão, Dona Leonor de Teles ficaria regente até Dona Beatriz ter um filho com catorze anos, em posição de assumir os destinos do trono português.
A 30 de abril, Dona Beatriz casou com D. João I e, a 22 de outubro, D. Fernando morreu abrindo em Portugal uma crise política devido ao problema da sucessão.
A rainha viúva, dona Leonor de Teles, assumiu a regência do trono português mas rapidamente surgiram as primeiras revoltas contra esta rainha não amada pela generalidade do povo, entre outros motivos pela influência que sobre ela tinha o Conde João Fernandes Andeiro, nobre galego seu conselheiro.
Os acontecimentos precipitaram-se e, a 6 de dezembro, Álvaro Pais chefia uma conspiração para matar o conde. D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo do rei D. Pedro e meio irmão de D. Fernando, entra no Paço da Rainha com um grupo de conspiradores e mata o conde. Dona Leonor foge para Santarém e dali envia um mensageiro à corte de castela solicitando ajuda ao seu genro, D. João I.
A sociedade portuguesa divide-se em duas fações - o povo, a burguesia, o baixo clero e a baixa nobreza apoiam o Mestre de Avis enquanto a alta nobreza e o alto clero apoiam os interesses e pretensões de Castela.
Entretanto, a 15 de dezembro de 1383, em Lisboa, reúne uma assembleia popular que elege o Mestre de Avis "Regedor e Defensor do Reino".
Em janeiro de 1384 as tropas castelhanas invadiram Portugal e no dia 6 de Abril desse mesmo ano os dois exércitos enfrentaram-se na batalha dos Atoleiros, saindo vitoriosas as tropas portuguesas, comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, apesar do número bastante inferior, batalha onde, pela primeira vez, foi usada a tática do quadrado.
A 29 de maio de 1384, D. João I de Castela cerca Lisboa, cidade cuja defesa estava à guarda de D. João, Mestre de Avis. O cerco durou quatro longos meses e foi muito penoso para as populações devido às privações alimentares... entretanto a peste instalou-se no exército castelhano que levantou o cerco, libertando, deste modo, a cidade.
O prestígio do Mestre foi crescendo, muitas povoações apoiavam-no e a 6 de abril de 1385, o Mestre de Avis, nas Cortes de Coimbra, foi aclamado rei de Portugal com o título de D. João I.
D. João I de Castela invade, de novo, Portugal. Travam-se as batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde, todas ganhas por Portugal e que ajudaram a consolidar a independência nacional.
Em 1386, D. João I mandou edificar o mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, que comemora a vitória dos portugueses na batalha de Aljubarrota.
Podes visitá-lo, virtualmente, aqui.
A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, encontra-se na hiperligação B - A Crise de 1383/85.
E agora tenho uma enooooorme surpresa para grande parte dos meus alunos... sim, são vocês no vídeo... ainda tão pequeninos! durante a representação teatral preparada pela vossa muito querida professora Ana Oliveira que vos ensaiou e que aplanou trabalho para que vocês chegassem às minhas mãos, no 7º ano de escolaridade, a amar História.
Deixem-me desabafar... que saudades desta vossa professora de História e do trabalho, entusiasmado, que partilhámos um dia...
Tomara que a EB 2/3 de Amarante possa contar, um dia, e de novo, com o seu trabalho...
Ainda sobre a crise, uma síntese...
... e agora, dou a palavra a José Hermano Saraiva.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
1ª Aula - A Crise do Século XIV
1ª Aula - A Crise do Século XIV
Sumário: A crise do século XIV - causas e consequências. A crise do século XIV em Portugal.
Metas Curriculares
. Domínio/Tema D
As crises do século XIV
. Subdomínio/Subtema
1. Conhecer e compreender as causas da crise do século XIV na Europa
. Descritores de Desempenho/Objetivos
1.1 - Identificar a Guerra dos Cem Anos como o principal conflito europeu do século XIV.
1.2 - Apontar o aumento demográfico, a escassez de áreas cultiváveis, as mudanças climáticas e a destruição causada pelas guerras como causas( interligadas) das fomes que grassaram no século XIV.
1.3 - Relacionar a expansão das doenças epidémicas com a fome, a falta de condições de higiene e
com o clima de guerra.
1.4 - Sublinhar a importância da peste negra neste contexto e o seu processo de difusão.
1.5 - Explicar as consequências demográficas e económicas da conjuntura de fome, peste e guerra.
1.6 - Relacionar a diminuição da mão de obra e o abandono dos campos com a quebra de produção e com a subida dos salários.
1.7 - Indicar as medidas tomadas pelos senhores e pelo poder régio para fazer face à diminuição das receitas.
. Subdomínio/Subtema
3. Conhecer e compreender os "levantamentos populares" rurais, os conflitos sociais urbanos e os "movimentos milenaristas".
. Descritores de Desempenho/Objetivos
3.1 - Relacionar as medidas régias e senhoriais para fazer face à crise com o surgimento de revoltas populares rurais na Europa Ocidental.
3.2 - Caracterizar os movimentos populares rurais e os conflitos sociais urbanos.
3.3 - Contextualizar o aparecimento de movimentos milenaristas (ideia de fim de mundo; moralização dos comportamentos).
Queridos alunos,
antes de me alongar no que vos interessa, quero avisar-vos que no blogue só postarei as aulas em que exploraremos a matéria, o que será feito nas aulas semanais de 90 minutos. Assim sendo, apenas numerarei estas aulas, mais teóricas, sem atender à numeração das aulas completamente práticas, as de 45 minutos, em que faremos exercícios escritos e respetivas correções. Ok?
E passamos à aula um do oitavo ano de escolaridade.
Lembram-se de termos falado de tempos de crescimento e de prosperidade, a partir do século XI, um pouco por toda a Europa? Pois esses tempos estenderam-se até ao início do século XIV, século em que se iniciou um tempo de muitos horrores e de muitas crises - crise climática, crise agrícola, crise demográfica, crise económica e crise social.
O século XIV ficou marcado por anos de instabilidade climática que se traduziram em chuvas excessivas, inundações, descidas de temperatura, secas. Esta crise climática provocou uma crise económica pois os péssimos anos agrícolas daí decorrentes traduziram-se em quebras abruptas na produção de cereais, base alimentar da população da época. Os preços dos géneros alimentares dispararam. As exportações desceram, as moedas desvalorizaram. As condições de vida pioraram enormemente, a fome instalou-se e as populações, mal alimentadas e sem hábitos de higiene, tornaram-se mais frágeis e pasto ideal para as doenças se instalarem e propagarem. O século XIV foi farto em epidemias sendo a mais conhecida a célebre peste negra que, vinda do Oriente, matou cerca de 1/3 da população europeia e deixou povoações completamente despovoadas e campos abandonados por inexistência de mão de obra. Temos, assim, uma grave crise demográfica, com diminuição da taxa de natalidade e aumento da taxa de mortalidade, esta última agravada ainda pelas múltiplas guerras travadas no século XIV, um pouco por toda a Europa. A mais conhecida foi a guerra dos cem anos, que opôs a Inglaterra à França, mas podíamos dar outros exemplos e para recorrer a um exemplo português temos as guerras fernandinas, travadas entre Portugal e Castela, entre 1369 e 1382, que contribuíram para o empobrecimento e o sofrimento das populações já tão massacradas pelas dificuldades que, à época, no reino imperavam.
A esmagadora maioria da população, o povo, vivia em condições miseráveis, esmagado pelos impostos cobrados pelos seus senhores. Quando estes viram os seus rendimentos diminuírem, em consequência do aumento da taxa de mortalidade entre a população, tentaram recuperar os rendimentos perdidos aumentando os impostos aos sobreviventes que se encontravam já no limite das suas forças. Os assalariados, aproveitando-se da falta de mão de obra, aumentaram o custo do trabalho. Um pouco por toda a Europa estalaram revoltas populares, rurais e urbanas, durante as quais o povo, desesperado, assaltou, pilhou e incendiou castelos e residências senhoriais. Os senhores retaliaram e a Europa conheceu uma grave crise social.
O século XIV foi, por toda a Europa, um século de dificuldades e de crises e Portugal não foi exceção neste panorama geral.
A crise abrangeu os reinados de D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando e, apesar das várias tentativas de solução, a verdade é que as medidas adotadas, das quais as mais célebres estão contidas na Lei das Sesmarias, de 1376, não tiveram grande êxito.
A Lei das Sesmarias obrigava todos quantos tivessem terras a cultivá-las, proibia a mendicidade e obrigava os antigos agricultores a voltarem à profissão, assim como seus filhos e netos e fixava os salários. Tentava-se, desta forma, aumentar a área cultivada, aumentar a mão de obra disponível, evitar abusos nos salários. O problema... foi aplicar a lei...
Como sempre podeis consultar a minha apresentação em PowerPoint, já alterada e publicada no sítio do costume, intitulada A - A Crise do Século XIV.
E podeis visionar o vídeo que seleccionei para vocês, sobre a peste negra, em espanhol, com a qualidade do Canal História.
E ainda:
Sumário: A crise do século XIV - causas e consequências. A crise do século XIV em Portugal.
Metas Curriculares
. Domínio/Tema D
As crises do século XIV
. Subdomínio/Subtema
1. Conhecer e compreender as causas da crise do século XIV na Europa
. Descritores de Desempenho/Objetivos
1.1 - Identificar a Guerra dos Cem Anos como o principal conflito europeu do século XIV.
1.2 - Apontar o aumento demográfico, a escassez de áreas cultiváveis, as mudanças climáticas e a destruição causada pelas guerras como causas( interligadas) das fomes que grassaram no século XIV.
1.3 - Relacionar a expansão das doenças epidémicas com a fome, a falta de condições de higiene e
com o clima de guerra.
1.4 - Sublinhar a importância da peste negra neste contexto e o seu processo de difusão.
1.5 - Explicar as consequências demográficas e económicas da conjuntura de fome, peste e guerra.
1.6 - Relacionar a diminuição da mão de obra e o abandono dos campos com a quebra de produção e com a subida dos salários.
1.7 - Indicar as medidas tomadas pelos senhores e pelo poder régio para fazer face à diminuição das receitas.
. Subdomínio/Subtema
3. Conhecer e compreender os "levantamentos populares" rurais, os conflitos sociais urbanos e os "movimentos milenaristas".
. Descritores de Desempenho/Objetivos
3.1 - Relacionar as medidas régias e senhoriais para fazer face à crise com o surgimento de revoltas populares rurais na Europa Ocidental.
3.2 - Caracterizar os movimentos populares rurais e os conflitos sociais urbanos.
3.3 - Contextualizar o aparecimento de movimentos milenaristas (ideia de fim de mundo; moralização dos comportamentos).
Queridos alunos,
antes de me alongar no que vos interessa, quero avisar-vos que no blogue só postarei as aulas em que exploraremos a matéria, o que será feito nas aulas semanais de 90 minutos. Assim sendo, apenas numerarei estas aulas, mais teóricas, sem atender à numeração das aulas completamente práticas, as de 45 minutos, em que faremos exercícios escritos e respetivas correções. Ok?
E passamos à aula um do oitavo ano de escolaridade.
Lembram-se de termos falado de tempos de crescimento e de prosperidade, a partir do século XI, um pouco por toda a Europa? Pois esses tempos estenderam-se até ao início do século XIV, século em que se iniciou um tempo de muitos horrores e de muitas crises - crise climática, crise agrícola, crise demográfica, crise económica e crise social.
O século XIV ficou marcado por anos de instabilidade climática que se traduziram em chuvas excessivas, inundações, descidas de temperatura, secas. Esta crise climática provocou uma crise económica pois os péssimos anos agrícolas daí decorrentes traduziram-se em quebras abruptas na produção de cereais, base alimentar da população da época. Os preços dos géneros alimentares dispararam. As exportações desceram, as moedas desvalorizaram. As condições de vida pioraram enormemente, a fome instalou-se e as populações, mal alimentadas e sem hábitos de higiene, tornaram-se mais frágeis e pasto ideal para as doenças se instalarem e propagarem. O século XIV foi farto em epidemias sendo a mais conhecida a célebre peste negra que, vinda do Oriente, matou cerca de 1/3 da população europeia e deixou povoações completamente despovoadas e campos abandonados por inexistência de mão de obra. Temos, assim, uma grave crise demográfica, com diminuição da taxa de natalidade e aumento da taxa de mortalidade, esta última agravada ainda pelas múltiplas guerras travadas no século XIV, um pouco por toda a Europa. A mais conhecida foi a guerra dos cem anos, que opôs a Inglaterra à França, mas podíamos dar outros exemplos e para recorrer a um exemplo português temos as guerras fernandinas, travadas entre Portugal e Castela, entre 1369 e 1382, que contribuíram para o empobrecimento e o sofrimento das populações já tão massacradas pelas dificuldades que, à época, no reino imperavam.
A esmagadora maioria da população, o povo, vivia em condições miseráveis, esmagado pelos impostos cobrados pelos seus senhores. Quando estes viram os seus rendimentos diminuírem, em consequência do aumento da taxa de mortalidade entre a população, tentaram recuperar os rendimentos perdidos aumentando os impostos aos sobreviventes que se encontravam já no limite das suas forças. Os assalariados, aproveitando-se da falta de mão de obra, aumentaram o custo do trabalho. Um pouco por toda a Europa estalaram revoltas populares, rurais e urbanas, durante as quais o povo, desesperado, assaltou, pilhou e incendiou castelos e residências senhoriais. Os senhores retaliaram e a Europa conheceu uma grave crise social.
O século XIV foi, por toda a Europa, um século de dificuldades e de crises e Portugal não foi exceção neste panorama geral.
A crise abrangeu os reinados de D. Afonso IV, D. Pedro e D. Fernando e, apesar das várias tentativas de solução, a verdade é que as medidas adotadas, das quais as mais célebres estão contidas na Lei das Sesmarias, de 1376, não tiveram grande êxito.
A Lei das Sesmarias obrigava todos quantos tivessem terras a cultivá-las, proibia a mendicidade e obrigava os antigos agricultores a voltarem à profissão, assim como seus filhos e netos e fixava os salários. Tentava-se, desta forma, aumentar a área cultivada, aumentar a mão de obra disponível, evitar abusos nos salários. O problema... foi aplicar a lei...
Como sempre podeis consultar a minha apresentação em PowerPoint, já alterada e publicada no sítio do costume, intitulada A - A Crise do Século XIV.
E podeis visionar o vídeo que seleccionei para vocês, sobre a peste negra, em espanhol, com a qualidade do Canal História.
E ainda:
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Alteração de Nome do Blogue
Alteração de Nome do Blogue
Caríssimos alunos,
como tenho de me poupar um pouco e a decisão faz todo o sentido, acabei de alterar o nome deste blogue de História - 7º Ano para História - 3º Ciclo, uma vez que irei dar continuidade ao meu trabalho, agora no 8º ano, e pretendo para o ano continuar com o 9º abarcando, assim, toda a matéria de história referente ao 3º ciclo de escolaridade.
A partir de agora, já sabeis, nada de confusões, História - 3º Ciclo!!!
Caríssimos alunos,
como tenho de me poupar um pouco e a decisão faz todo o sentido, acabei de alterar o nome deste blogue de História - 7º Ano para História - 3º Ciclo, uma vez que irei dar continuidade ao meu trabalho, agora no 8º ano, e pretendo para o ano continuar com o 9º abarcando, assim, toda a matéria de história referente ao 3º ciclo de escolaridade.
A partir de agora, já sabeis, nada de confusões, História - 3º Ciclo!!!
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