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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

1ª Aula - A Hegemonia Europeia nos Finais do Século XIX

1ª Aula - A Hegemonia Europeia nos Finais do Século XIX

Meus caros alunos,

dando continuidade ao trabalho dos anos anteriores, partilho a primeira aula de matéria já explorada em contexto de sala de aula.

Ora então aqui vai...

No início do século XIX a Europa exibia uma superioridade económica assinalável quando comparada com o resto do mundo. Assim, era responsável por metade da produção industrial mundial sendo que Inglaterra, França e Alemanha eram os países mais industrializados do mundo; detinha 83% da frota mercantil e era em solo europeu que se situavam os principais portos marítimos; controlava o comércio a nível mundial e por si só era responsável por cerca de 62% de todas as trocas comerciais internacionais.
A superioridade europeia manifestava-se também no aspecto financeiro já que 80% de todos os capitais investidos a nível mundial eram europeus e era na Europa que se situavam os principais bancos.
Do ponto de vista demográfico, a Europa também manifestava uma superioridade assinalável, sendo responsável por, num continente tão pequeno do ponto de vista geográfico, cerca de 1/4 da população mundial - em vésperas da 1ª Guerra Mundial, que teve o seu início em 1914, a população europeia representava 27,3% da população mundial.
Aqui se situavam os maiores centros urbanos engrossados por uma população que vivia cada vez mais e melhor, decorrente dos hábitos alimentares de qualidade crescente, de hábitos de higiene cada vez mais regulares, do acesso aos progressos da medicina em termos de vacinação e tratamentos cada vez mais eficazes. A Europa foi, durante décadas e décadas, a fornecedora de milhões e milhões de emigrantes que povoaram e ocuparam todos os outros continentes, sem excepção.
A Europa explorava e controlava as suas colónias do ponto de vista económico, financeiro, cultural, religioso... e vai aprofundar este colonialismo durante a segunda metade do século XIX, pressionada pela necessidade de matérias primas e mão-de-obra barata tão necessárias para a sua industrialização crescente.
A Europa demonstrava também uma superioridade científica e cultural incrível bem patente em dados como: as principais academias de arte e literárias, bibliotecas, museus, universidades situavam-se em solo europeu; até 1914 todos os prémios Nobel foram atribuídos a europeus e a Europa orgulhava-se de exportar os seus estilos de vida, as suas modas, culturas, línguas.
Em suma, a Europa explorava e controlava as suas colónias do ponto de vista político, económico, financeiro, cultural, religioso... através do imperialismo e do colonialismo, que vai aprofundar durante a segunda metade do século XIX, pressionada pela necessidade de matérias primas e mão-de-obra barata tão necessárias para alimentar uma industrialização crescente ocorrida no continente europeu.
De todos os continentes o que despertava mais cobiça entre os países europeus era o extenso continente africano, em grande parte desconhecido, mas muito rico em matérias-primas e habitado por povos considerados inferiores e não-civilizados, racismo, que podiam fornecer mão-de-obra barata.
Na segunda metade do século XIX vários países europeus enviaram exploradores com a missão de fazerem o reconhecimento do interior de África com um intuito geográfico/científico, económico e político já que cada potencia se queria afirmar como a mais rica e mais poderosa. Destacam-se os ingleses David Livingstone e Henrique Stanley, o francês Pierre Brazza e os portugueses Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto que, enfrentando doenças raras, animais perigosos e tribos desconhecidas muito contribuíram para o alargar dos conhecimentos sobre o território africano.
Entre 1884 e 1885 realizou-se a Conferência de Berlim, por proposta do chanceler alemão Bismark, com a finalidade de regularizar a partilha de África entre as várias potências europeias. Assim, foram definidas as condições de posse desses territóriossubstituiu-se o direito de ocupação histórico pelo direito de ocupação efectiva em que as várias potências eram obrigadas a promover a efectiva ocupação e exploração dos territórios ultramarinos sob pena de perderem o direito sobre esses territórios.
Em 1886 foi desenhado o mapa cor-de-rosa, tornado público no ano seguinte, que expressava a pretensão portuguesa de unir Angola a Moçambique pelos territórios hoje ocupados pela Zâmbia, Zimbabué e Malawi. Ora esta pretensão portuguesa colidia com a pretensão inglesa de unir a Cidade do Cabo ao Cairo e, em 1890, Inglaterra enviou um Ultimato a Portugal, o chamado Ultimato Inglês, para que retirasse imediatamente as suas tropas do território entre estas duas colónias portuguesas.
Portugal, muito dependente economicamente de Inglaterra, obedeceu de imediato o que contribuiu para o desprestígio da monarquia.

Deixo-vos, como sempre, o link para a primeira apresentação em PowerPoint, que já foi partilhada numa página somente destinada às apresentações de 9º ano, em virtude da outra página estar já com a sua capacidade de armazenamento esgotada. Podem encontrá-la clicando sobre A - A Europa e o Mundo em Finais do Século XIX.

Deixo-vos ainda um vídeo sobre esta matéria e que já introduz matéria da próxima aula.



Ainda mais dois sobre a revolução industrial... para relembrar e enquadrar...





E partilho um pequeno vídeo sobre a Conferência de Berlim que não devem deixar de ver.



Agradecida pela atenção.

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